segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Presentes da estrada.

"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que não se pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que quero".

(F.Pessoa)



Pela janela o mundo me traz tanta beleza que há, se mostra imenso de coisas a descobrir, viver e ver.

Aqui dentro o mundo me traz tantas perguntas, se mostra tão pequeno feito de encontros e coincidências.

Como isto não pode caber em uma fotografia?Como isto não pode caber em palavras?

Mas é por isto que é tão profundo e intenso. Porque são presentes da estrada que são feitos só para serem vividos, só para aqueles que conseguem se aventurar, e são presentes até a próxima estação...ou não.

São presentes para sempre dentro de nós, construindo de lembranças um cantinho de quem somos.
Republica Tcheca/Praga,15 de setembro de 2007.

Com gosto de maçã verde


Já se começam sentir os ares da primavera. O céu já é menos cinza, os ventos menos gelados, e as arvores, antes apenas galhos, já dão ares de esperança. Enfeitam-se em cores e encantam os pássaros, que reaparecem.

Não sei se todos se admiram tanto com o nascer da primavera, ou se isto que eu sinto vem mesmo de dentro de mim.

Vim descobrir este continente com esta ânsia de ver brotar nos ramos flores novas de bons presságios; e o que encontrei de boas vindas foram arvores ressequidas pelo friu (talvez do inverno da Europa, talvez pelo friu dos europeus) e agora que já me sinto assim: mais coloridas, sou finalmente recompensada por esta estação que me enche de luz.

Por isso não sei se vejo o que sinto, ou se sinto o que vejo. Só sei que depois de tanto sinto-me feliz por aqui estar, e saborear o fim do inverno com gosto das maçãs verdes,que são, apesar de ácidas, doces, mais aqui do que em qualquer outro lugar do mundo.


Coimbra, 06 de março de 2007.