quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Metamorfosear

“Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

muda-se o ser, muda-se a confiança;

todo o mundo é composto de mudança,

tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,

diferentes em tudo da esperança;

do mal ficam as mágoas na lembrança,

e do bem (se algum houve), as saudades."

Luís de Camões, Lírica




Tenho pensado nas mudanças, em como elas chegam sorrateiras e nos fazem tropeçar.
Tenho pensado nas mudanças, em como elas nos vira o jogo e coloca-nós como novos personagens, e nos dá diferentes perspectivas.
Tenho pensado nas mudanças, em como elas nos atordoa, já que, “a mente apavora aquilo que não é mesmo velho”.
Tenho pensado nas mudanças, e graças a Deus elas existem, pois há a possibilidade de se recriar.

A vida é feita de transformações. O mundo se converte graças a sua capacidade de evoluções. E porque, nós, simples seres a mercê do ir e vir do infinito, seriamos imunes a isso?

Metamorfosear deveria ser um verbo cotidiano. Não pela inconstância, nem pela falta de opinião, mas pela adaptabilidade. A seleção natural é árdua e inflexível, na qual organismos que não se ajustarem estarão fadados à extinção.

E como “muitos passarão, e eu passarinho”, ando metamorfoseando pela estrada a fora. Não sigo o exemplo das borboletas que se encazulam, fugindo do mundo ao redor, para então saírem de lá com asas.

Ora bolas, asas!? As baratas também têm asas, e ninguém as acha melhor por isso. Pobres cucaratchas, vivem sempre cautelosas com as sandálias de borracha.

Exemplos de vida, para mim, são os sábios anuros. Sapos, pererecas e rãs. Não são tão poéticos e nem tão fotogênicos quanto as bonitinhas “bobo”letas, mas em matéria de metamorfose dão aula.

Heróicos anuros, expõem sua fase transformatória a quem quiser se incomodar, armam-se com novos “braços e pernas” a guerrear, abandonam velhos hábitos e reaprendem a respirar.E finalmente conquistam ,a quente e seca, desejada camada terrena.Ampliam horizontes e inovam a vida.

Ajuizados são os tais anfíbios, apossam-se de terra firme porém mantêm –se fiéis ás origens,aos valores e condutas.Sempre próximos ao seu habitat maternal, caminho de luta e evolução que também passará a sua prole.

E eu não entendo como ainda há quem ache-os animaizinhos nojentos.
Por fim um apelo.Liberdade a todas as formas e vida: diga sim ao direito as baratas cascudas dividirem o espaço aéreo com as leves borboletas!IGUALDADE ÀS ESPÉCIES

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Presente de pai


É engraçado como algumas coisas simples podem ter tamanho valor na nossa vida. Tive a sorte de ser nascida em boa família, muitos natais e aniversários se passaram, muitos presentes vieram e se foram, e infelizmente não guardo grandes memórias da minha infância. Porém houve certo presente que me marcou. Não me recordo exatamente de quando foi que eu o ganhei, e nem o que senti; mas aqui dentro ainda existem vestígios do que dele ficou.

A grande lembrança que há em mim não é material. Não é feita de metal, e não é pintada de rosa clarinho, não tem aquela cestinha branca onde eu levava minhas bonecas e meu cachorro para passear. Também não tem fitinhas coloridas e nem uma buzina vermelhinha. Mas é tão real, que em alguns momentos, quase posso tocá-la.

Quando a conheci, ela vinha com duas rodinhas de apoio, tinha um ar amigável e convidativo. Criança nunca suspeita do perigo, então confiei, mas mal imaginava eu dos tombos que ela seria a causa.

Os meus joelhos eram sempre ralados, e as bermudas gastas de cair de bumbum. Mas a cada queda havia um novo levantar, papai sempre dizia: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Não a temia, pelo contrario, ela me desafiava. Em pouco tempo descobri que aquela bicicleta deveria ser descendente de algum burro xucro. Teimava em não me obedecer; e não adiantava botá-la de castigo, tentar negociar com chicletes, e nem fazer chantagem. Depois de algumas pedaladas lá ia eu de novo para o chão.

Tai chi chuan que nada, foi à danada daquela magrela rosinha que me deu as primeiras lições do que é equilíbrio (em todos os sentidos). O presente não veio com manual de instruções, mas foi graças a ele que descobri meu primeiro grande professor.

Eu tentava domar aquela magrela, enquanto papai me ensinava mais do que andar sobre duas rodas.

Já sem as rodinhas de apoio, ficou mais difícil de andar. Pela primeira vez me intimidei, mas papai insistiu. Segurava a magrela pelo banco e ia correndo atrás, enquanto eu pedalava segura, pois ele estava ali. E então a primeira lição: Confiança.

Eu me mantinha em pé, pois ele estava ali, logo atrás. Andava até o final da rua, sem baquear, mas quando percebia que ele tinha me soltado, caia.

-Papai você me soltou e eu caí, como você quer que eu confie em você?
-Anjinho, você andou até o fim da rua por que confia em mim, mas agora precisa aprender a confiar em você mesma, para prosseguir sem tombos.

Apesar das palavras de apoio, e de eu ter encontrado a confiança em mim mesma, existiram ainda muitas quedas. Já estava pronta pra segunda lição: Perseverança.

-Vamos doçura, quem desiste não alcança. Tudo isso antes de casar sara!Dizia papai.

Certa vez fomos treinar numa ciclovia, e lá havia uma curva que sempre me derrubava, porém lição aprendida significa tafera feita. Me armei de perseverança e após algumas quedas conquistei a reta a seguir.Virei-me para trás e gritei para comemorar, contudo não vi uma pedrinha, e outra vez foram os joelhos para o asfalto.

-Filhota: Preste sempre atenção no seu futuro. Não importa o quão difícil foi a prova que passou, você tem sempre é que olhar em frente.

Muitas foram as lições aprendidas até as quedas diminuírem. Tardes de sol, dias no parque, além de tudo que aprendi, ganhei mais que um presente, ganhei um pai presente. A aliança entre nós se estreitou e os ensinamentos me guiam aonde eu for. Por que dizem que quem aprende a andar de bicicleta nunca mais esquece.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Só por vaidade


Só por vaidade eu vou

Pintar meus olhos com lápis, pra disfarçar o brilho que me ofusquei, rubrecer as maças do rosto, para me corar de vida. Vou redesenhar os lábios com batom, que opacaram sem paixão;

Só por vaidade eu vou

Procurar as pessoas que mais me amam, para que elas com os olhos, que seja, me mostrem que eu sou suficientemente encantadora e querida.Para ouvir falar assuntos familiares, que me retornem ao meu mundo, para que me refaçam meu mundo.

Só por vaidade eu vou

Fazer as unhas, cortar o cabelo, comprar um roupa bonita, trocar de sapato.Vou me reinventar.Vou andar na rua com passos firmes, e atrair mais olhares que a cauda do pavão.

Só por vaidade eu vou

Comprar brincos bem brilhantes, e encher os dedos com anéis coloridos, e trazer pulseiras que façam bastante barulho, para eu não ouvir mais meu pensamento que entristecem.

Só por vaidade eu vou

Apanhar flores e enfeitar a casa, a vida, e perfumar meus dias pra esquecer o cheiro daquela pele.

Só por vaidade eu vou

Mudar as fotos, pintar o quarto, decorar o teto, mudar as cortinas:desmontar o cenário da peça que já terminou.

Só por vaidade eu vou

Ler um poema lindo, e sonhar que um dia foi feito só pra mim.Vou deixar os livros de filosofia e física quântica de lado e ler um revista bem fútil,descobrir uma receita nova de rocambole, e 10 maneiras de arrumar um namorado até o natal.

Só por vaidade eu vou

Ouvir na rádio as música mais piegas, vou cantarolar baixinho as dores deixadas, vou compor um refrão pra gritar bem auto o quanto machucou.

Só por vaidade eu vou

Ver um filme romântico, me sentir a mocinha, e por instantes esboçar um sorriso.

Só por vaidade eu vou

Assaltar o armário, comer chocolate e brindar com pipoca.

Só por vaidade eu vou

Vou paquerar, lembrar o quanto é bom ter um friozinho na barriga e torcer pra encontrar com ele.Vou me sentir bonita e desejada, vou exercitar um olhar sedutor, e dar adeus do jeito mais fascinante que conseguir.

Só por vaidade eu vou

Pedir colo pra mamãe, e sentir de novo o aconchego do mais puro afeto. Vou reacreditar no amor e querer um casamento como o dela.

Só por vaidade eu vou

Fazer uma simpatia, e vou rezar pra Santo Antônio(mas que desta vez seja bem caprichado).

Só por vaidade eu vou


Procurar uma velha paixão....talvez uma amor platônico, ou a antiga vontade de aprender musica.

Só por vaidade

Eu não vou mais chorar..... Me dá rugas!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Receita médica.

Livros e canetas, contas e difíceis decisões. Decorar assunto do roda pé,e ainda ter tempo para as resoluções amorosas.E finalmente a enxaqueca diária.

Está dorzinha inconveniente que atormenta qualquer pensamento são seria por acaso o reflexo de um tumor cerebral?Não, muito drástico, deve ser problema de vista.

O oculista resolve. E afinal o meu amado ainda acha isso um charme intelectual.

Adorei a idéia de escolher a armação. Daria o ar despojado, ou talvez elegante.

Separei algumas horinhas da minha tão corrida agenda para ir ver o Doutorzinho. E lá estava eu na sala de espera, torcendo por um ou dois graus de aumento, assim despertaria o encanto que eu desejava, já que o cupido não queria mais ajudar no meu caso.

Tantos exames. Miopia, hipermetropia, glaucoma, catarata, astigmatismo, adaltonismo. E depois de tudo nem um milímetro de visão alterada.

-E então doutor, qual é o diagnostico?

-Veja bem senhorita,desculpe o trocadinho, mas é preciso que você seja mais paciente.Os seus olhos devem estar só um pouco mais cansados, e alias, não só os olhos.Minha indicação é que a senhorita eleve seu olhar a um horizonte distante: Sente na praia e relaxe a visão, vá ao campo e aprecie o ar puro.Faz um bem danado para a vista.

Pois então, que me desculpem, são indicações médicas. Uma receita assim a farmácia não tem a pronta entrega.


E se o tal amado não me admira pelas idéias que brotam aqui dentro, não sou eu que vou escondê-las por trás de lentes, afinal, eu tenho mesmo é o dom de enxergar longe.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A Coleção.




Tem nesta vida quem colecione de tudo.

E eu (e minha velha mania de filosofar tudo a minha volta) ponho-me a fazer piruetas mentais, procurando encontrar algum vestígio de razão, no que na verdade SÓ FREUD explica.

Quem sabe na coleção de selos tenha uma vontade incontida de se comunicar, além de céu e mar; ou então por trás de tantos times de futebol de botão, não tenha uma nostalgia gostosa, dos dias com o vovô. Nos papéis de carta, o sonho de escrever poemas apaixonados, para o príncipe que ainda vai chegar.Nos cartões postais, um desejo imponderável de viajar a novos lugares.

Mas o que me fez refletir sobre algo tão banal? Uma coleção no mínimo singular, de um ser ímpar!

Cercado pelas frias e úmidas paredes do banheiro, no cantinho tímido, em cima da pia, mora a mais mimosa coleção que já conheci. Redecora a brancura frígida com as cores intimas de uma escolha tão pessoal.

Escovas de dentes????...

Pois é, não foi proposital, mas a cada dia a coleção foi crescendo, e conquistando um espaço que agora é só seu.

Nada é mais acolhedor que ter a sua escova de dentes esperando por você. Quando você sai de casa uma das primeiras coisas que lembra é de levar a sua escova de dentes, e como não se sentir em casa quando “ela” ta ali em cima te esperando, da sua cor preferida, desgastada com seu sabor???

E o que levaria alguém ter uma coleção assim?

Aquelas escovas intrigariam toda a psicanálise moderna,contudo só é preciso um pouquinho de sensibilidade.A olhar para aquele potinho, no cantinho nada mais pode ser visto que a expressão mais doce do que pode ser intimidade, é uma coleção de amizades profundas,que rompe aquelas barreiras que só não existem em família,concluindo,é uma coleção de parentes escolhidos.


Afinal, não é pra qualquer um juntar as escovas de dentes.

Lembre-se

A taça sempre pode estar....

meio cheia,




....ou meio vazia.

Só depende do seu jeito de ver!

domingo, 11 de novembro de 2007

Adultices


Cada dia que passa mais me convenço de como é difícil ser gente grande.

Descubro realidades que me insatisfazem, que ferem fundo o meu âmago pueril. Gente grande desaprende a viver, esquece a humildade ingênua que enfeita de vida o coração moleque.

Já tenho saudade do tempo em que sentia medo do boi da cara preta, em que má mesmo era a Cuca. Agora no mundo em que vivo agente tem que desconfiar até da sombra, chupa-cabra está pedindo arrego no Ibama com toda esta concorrência de vilões, cada vez mais mal intencionados.

Tem até quem ponha a própria mãe em liquidação pensando mesmo é no próprio umbigo, que talvez, quem sabe até possa ganhar um piercing tamanha sua importância.

Ô tempo baum, quando eu pensava que ser adulto era calçar salto alto 5 números maior que o meu. Em pensar que hoje em dia tenho que recorrer às aulas de yoga por 15 minutos descalça se não posso ser chamada de ativista do Lula, ou hippie retrograda.

Tem hora que já não dá mais pra saber o que fazer com tanto stress, está na moda ter depressão. Dá vontade mesmo de pegar carona numa calda de cometa, mergulhar em uma bacia de pipoca e esquecer de tudo vendo os trapalhões na secção da tarde.

Rei, soldado, herói, pirata e domador; Hobem Wod era pouco, já que qualquer história ia dar em felizes para sempre. Os príncipes eram encantados e as meninas sempre lindas e educadas princesas mágicas. E depois de tanto brincar tudo ia terminar num le petti café com chocolá.

Gente grande aprende a complicar tudo, as aventuras têm que ser podadas pela falta de dinheiro, de coragem, de tempo. Agente vive correndo pra ter mais tempo pra perder fazendo aquilo que não nos satisfaz.

Subir numa árvore pra roubar as frutas do Nhô Lau nem pensar, adulto só lembra o que é planta quando esta discutindo o efeito estufa, ou numa terapia de grupo, quando abraça uma árvore pra buscar o eu interior.

Época de ouro quando se fosse pra mentir seria a idade, se fosse pra enganar era a hora, e a maior fofoca era que o cravo brigou com a rosa. As disputas eram por brigadeiros e beijinhos da vovó. E as calorias????Nada que três polichinelos não adiantassem.

E quando agente brigava com quem agente gostava de verdade bastava virar a página e convidar para um novo faz de conta.

Ia eu pensar no movimento feminista quando saía na rua pra chutar bola com os meninos, ou entender o preconceito étnico e racial quando brincava de ser perêrê peralta?Não são rótulos demais pra quem está aprendendo a ler. (E depois dizem que criança não sabe das coisas)

Gente grande esquece da magia da vida, do encanto da fada, das boas lembranças do Papai Noel.

Pular corda, bater bafo, empinar pipa, rodar pião. E o tempo rodou num instante nas doas do meu coração.

Já decidi, chega de adultices, quando crescer quero ser criança!

Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e um especialmente pra você.

Para enfrentar um dia gril


Há dias em que as nuvens encobrem qualquer sentimento azul.
Há dias em que as palavras se perdem em meio a pensamento ocre.
Há dias em que os olhos vêm tudo em tons sépia.

Porém é nestes dias que as inspirações impulsionam os anseios a um sopro celeste, para os pulmões de um espírito asmático.

A alma humana surpreende nas formas em que encontra para se desaprisionar de uma existência gril. E a minha me ilumina quando encontra uma tela virgem, a espera das primeiras pinceladas despudoradas que colorem a candura e florescem em mim.

Sentindo a tinta que desliza num banho tépido, o magenta que assanhado escapole da ponta do pincel e acaricia meus dedos, me seduzindo à nuança romântica e abrindo espaço para o verde oliva que logo se espalha pela camisa e pelos meus braços, me remetendo aos dias na fazenda, ao pasto infindável e ao cheiro da minha primeira liberdade infantil. E quem pinta não escapa da força arrematadora do azul da Prússia, que me faz relembrar que os dias duros nada mais serão que tons escuros a espera de um ensinamento branco de titânio, para aí então se transformarem numa lembrança cor de céu, no fim da tarde.

Cada cor que entra no desenho me aviva numa nova tonalidade, que me toca em uma saudade, que me inspira num novo ofuror.

E é o amarelo, o vermelho e o azul que me recompõe em colorido brilhante, e se mesclam nas minhas expectativas para dias de cores originais e ilimitadas.

Espalho pintura pela tela, pelo chão, pela pele. E ela me entra pelos poros, pelos pêlos, pelo sangue, pela célula, se espalha em mim pelo corpo, pelas tristezas, pelos sonhos, pelos olhos. Que já enxergam os dias com olhos de quem vê. Contemplando até a frigidade do cinza, que nós faz caminhar à novos rumos, onde quem sabe haverá mais um cantinho em branco, esperando por se desvirginar em novas cores e novas histórias.
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"Há pessoas que transformam o Sol em uma mancha amarela,mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio Sol."(Pablo Picasso)

sábado, 3 de novembro de 2007

A bailarina



Andando pelas mesmas velhas ruas,mas desta vez sentindo-me realmente sozinha, deparei-me com um cartaz emoldurado pelo teatro Gil Vicente.Era um bailarina clássica, e por instantes me senti refletida naquela imagem.
Vejo toda esta viagem como aquele espetáculo de balé.Para o publico é uma linda imagem,fitas e lantejoulas que enfeitam uma dança perfeita.As luzes dos olofotes que brilham para poucos, que sorriem, e bailam num harmonia encantadora.
Ma s o que não aparece no palco são o calos deixados por tanto esforço, é aquele passo tantas vezes treinado que não sai como deveria,mas sob o palco os erros não tem volta, tem-se que levantar, porque o espetáculo não pode parar.
Sempre aprendi que apesar de qualquer dor as bailarinas sempre sorriem.E ali estava eu, com qualquer sofrimento e suor, subindo,linda, nas pontas dos pés, sem pensar no que vai ser quando as cortinas se fecharem.
Enfeitei-me com fitas e lantejoulas e continue subindo as mesmas velhas ruas,mas desta vez sentindo-me realmente dançando, porque o espetáculo não pode parar.