“Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

" Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades."
Luís de Camões, Lírica
Tenho pensado nas mudanças, em como elas chegam sorrateiras e nos fazem tropeçar.
Tenho pensado nas mudanças, em como elas nos vira o jogo e coloca-nós como novos personagens, e nos dá diferentes perspectivas.
Tenho pensado nas mudanças, em como elas nos atordoa, já que, “a mente apavora aquilo que não é mesmo velho”.
Tenho pensado nas mudanças, e graças a Deus elas existem, pois há a possibilidade de se recriar.
A vida é feita de transformações. O mundo se converte graças a sua capacidade de evoluções. E porque, nós, simples seres a mercê do ir e vir do infinito, seriamos imunes a isso?
Metamorfosear deveria ser um verbo cotidiano. Não pela inconstância, nem pela falta de opinião, mas pela adaptabilidade. A seleção natural é árdua e inflexível, na qual organismos que não se ajustarem estarão fadados à extinção.
E como “muitos passarão, e eu passarinho”, ando metamorfoseando pela estrada a fora. Não sigo o exemplo das borboletas que se encazulam, fugindo do mundo ao redor, para então saírem de lá com asas.
Ora bolas, asas!? As baratas também têm asas, e ninguém as acha melhor por isso. Pobres cucaratchas, vivem sempre cautelosas com as sandálias de borracha.
Exemplos de vida, para mim, são os sábios anuros. Sapos, pererecas e rãs. Não são tão poéticos e nem tão fotogênicos quanto as bonitinhas “bobo”letas, mas em matéria de metamorfose dão aula.
Heróicos anuros, expõem sua fase transformatória a quem quiser se incomodar, armam-se com novos “braços e pernas” a guerrear, abandonam velhos hábitos e reaprendem a respirar.E finalmente conquistam ,a quente e seca, desejada camada terrena.Ampliam horizontes e inovam a vida.
Ajuizados são os tais anfíbios, apossam-se de terra firme porém mantêm –se fiéis ás origens,aos valores e condutas.Sempre próximos ao seu habitat maternal, caminho de luta e evolução que também passará a sua prole.
E eu não entendo como ainda há quem ache-os animaizinhos nojentos.
Por fim um apelo.Liberdade a todas as formas e vida: diga sim ao direito as baratas cascudas dividirem o espaço aéreo com as leves borboletas!IGUALDADE ÀS ESPÉCIES







