
É engraçado como algumas coisas simples podem ter tamanho valor na nossa vida. Tive a sorte de ser nascida em boa família, muitos natais e aniversários se passaram, muitos presentes vieram e se foram, e infelizmente não guardo grandes memórias da minha infância. Porém houve certo presente que me marcou. Não me recordo exatamente de quando foi que eu o ganhei, e nem o que senti; mas aqui dentro ainda existem vestígios do que dele ficou.
A grande lembrança que há em mim não é material. Não é feita de metal, e não é pintada de rosa clarinho, não tem aquela cestinha branca onde eu levava minhas bonecas e meu cachorro para passear. Também não tem fitinhas coloridas e nem uma buzina vermelhinha. Mas é tão real, que em alguns momentos, quase posso tocá-la.
Quando a conheci, ela vinha com duas rodinhas de apoio, tinha um ar amigável e convidativo. Criança nunca suspeita do perigo, então confiei, mas mal imaginava eu dos tombos que ela seria a causa.
Os meus joelhos eram sempre ralados, e as bermudas gastas de cair de bumbum. Mas a cada queda havia um novo levantar, papai sempre dizia: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!
Não a temia, pelo contrario, ela me desafiava. Em pouco tempo descobri que aquela bicicleta deveria ser descendente de algum burro xucro. Teimava em não me obedecer; e não adiantava botá-la de castigo, tentar negociar com chicletes, e nem fazer chantagem. Depois de algumas pedaladas lá ia eu de novo para o chão.
Tai chi chuan que nada, foi à danada daquela magrela rosinha que me deu as primeiras lições do que é equilíbrio (em todos os sentidos). O presente não veio com manual de instruções, mas foi graças a ele que descobri meu primeiro grande professor.
Eu tentava domar aquela magrela, enquanto papai me ensinava mais do que andar sobre duas rodas.
Já sem as rodinhas de apoio, ficou mais difícil de andar. Pela primeira vez me intimidei, mas papai insistiu. Segurava a magrela pelo banco e ia correndo atrás, enquanto eu pedalava segura, pois ele estava ali. E então a primeira lição: Confiança.
Eu me mantinha em pé, pois ele estava ali, logo atrás. Andava até o final da rua, sem baquear, mas quando percebia que ele tinha me soltado, caia.
-Papai você me soltou e eu caí, como você quer que eu confie em você?
-Anjinho, você andou até o fim da rua por que confia em mim, mas agora precisa aprender a confiar em você mesma, para prosseguir sem tombos.
Apesar das palavras de apoio, e de eu ter encontrado a confiança em mim mesma, existiram ainda muitas quedas. Já estava pronta pra segunda lição: Perseverança.
-Vamos doçura, quem desiste não alcança. Tudo isso antes de casar sara!Dizia papai.
Certa vez fomos treinar numa ciclovia, e lá havia uma curva que sempre me derrubava, porém lição aprendida significa tafera feita. Me armei de perseverança e após algumas quedas conquistei a reta a seguir.Virei-me para trás e gritei para comemorar, contudo não vi uma pedrinha, e outra vez foram os joelhos para o asfalto.
-Filhota: Preste sempre atenção no seu futuro. Não importa o quão difícil foi a prova que passou, você tem sempre é que olhar em frente.
Muitas foram as lições aprendidas até as quedas diminuírem. Tardes de sol, dias no parque, além de tudo que aprendi, ganhei mais que um presente, ganhei um pai presente. A aliança entre nós se estreitou e os ensinamentos me guiam aonde eu for. Por que dizem que quem aprende a andar de bicicleta nunca mais esquece.
A grande lembrança que há em mim não é material. Não é feita de metal, e não é pintada de rosa clarinho, não tem aquela cestinha branca onde eu levava minhas bonecas e meu cachorro para passear. Também não tem fitinhas coloridas e nem uma buzina vermelhinha. Mas é tão real, que em alguns momentos, quase posso tocá-la.
Quando a conheci, ela vinha com duas rodinhas de apoio, tinha um ar amigável e convidativo. Criança nunca suspeita do perigo, então confiei, mas mal imaginava eu dos tombos que ela seria a causa.
Os meus joelhos eram sempre ralados, e as bermudas gastas de cair de bumbum. Mas a cada queda havia um novo levantar, papai sempre dizia: levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!
Não a temia, pelo contrario, ela me desafiava. Em pouco tempo descobri que aquela bicicleta deveria ser descendente de algum burro xucro. Teimava em não me obedecer; e não adiantava botá-la de castigo, tentar negociar com chicletes, e nem fazer chantagem. Depois de algumas pedaladas lá ia eu de novo para o chão.
Tai chi chuan que nada, foi à danada daquela magrela rosinha que me deu as primeiras lições do que é equilíbrio (em todos os sentidos). O presente não veio com manual de instruções, mas foi graças a ele que descobri meu primeiro grande professor.
Eu tentava domar aquela magrela, enquanto papai me ensinava mais do que andar sobre duas rodas.
Já sem as rodinhas de apoio, ficou mais difícil de andar. Pela primeira vez me intimidei, mas papai insistiu. Segurava a magrela pelo banco e ia correndo atrás, enquanto eu pedalava segura, pois ele estava ali. E então a primeira lição: Confiança.
Eu me mantinha em pé, pois ele estava ali, logo atrás. Andava até o final da rua, sem baquear, mas quando percebia que ele tinha me soltado, caia.
-Papai você me soltou e eu caí, como você quer que eu confie em você?
-Anjinho, você andou até o fim da rua por que confia em mim, mas agora precisa aprender a confiar em você mesma, para prosseguir sem tombos.
Apesar das palavras de apoio, e de eu ter encontrado a confiança em mim mesma, existiram ainda muitas quedas. Já estava pronta pra segunda lição: Perseverança.
-Vamos doçura, quem desiste não alcança. Tudo isso antes de casar sara!Dizia papai.
Certa vez fomos treinar numa ciclovia, e lá havia uma curva que sempre me derrubava, porém lição aprendida significa tafera feita. Me armei de perseverança e após algumas quedas conquistei a reta a seguir.Virei-me para trás e gritei para comemorar, contudo não vi uma pedrinha, e outra vez foram os joelhos para o asfalto.
-Filhota: Preste sempre atenção no seu futuro. Não importa o quão difícil foi a prova que passou, você tem sempre é que olhar em frente.
Muitas foram as lições aprendidas até as quedas diminuírem. Tardes de sol, dias no parque, além de tudo que aprendi, ganhei mais que um presente, ganhei um pai presente. A aliança entre nós se estreitou e os ensinamentos me guiam aonde eu for. Por que dizem que quem aprende a andar de bicicleta nunca mais esquece.
4 comentários:
às vezes dá uma vontade de voltar a ser criança....
E não esquece mesmo. Nem a andar de bicicleta nem a confiar em si própria. A vida vai ensinando e testando.
beijos Clara
Não sei se vocês gostaram tanto de ler este texto quanto eu gostei de escrever....
mas muito melhor foi o abraço apertado e as lagrimas nos olhos que ganhei de papai quando leu....
obrigada a vocês que foram meus confidentes!!!!
CLARA LUZ, escreves muito bem e prendes a nossa atenção. Tens leveza e sensibilidade. Mas olha, devias ir a mais blogs, visitar mais pessoas para que te conhecessem melhor. Acredito que gostes de que as pessoas venham cá, mas se elas não sabem aonde tu estás, como virão?
Vá lá, escreva e nós lemos com prazer e afinal somos confidentes uma das outras. Pela tua escrita estás no Brasil, mas em que parte?
beijos doces de Pitanga
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