Quando vamos embora, quando decidimos por um outro caminho talvez algumas palavras fiquem por serem ditas.Certas palavras nunca terão a chance de serem pronunciadas, só ocuparam espaço na cama quando sussurradas ao travesseiro.
Mas se existe um adjetivo que me nomeie, o melhor deve ser teimosia. Mesmo não dedicando minhas palavras à pessoa certa, soltarei-as ao vento, pois eu como uma eterna amante da liberdade, me nego a aprisionar qualquer vestígio de pensamento indigno de minha felicidade.
Ficarias surpresa com as coisas que tenho a te dizer.
Logo você, tão amargurada pela própria infelicidade que não sabe ver o mundo que existe por estar presa no sonho impossível que criou. Não sabe enxergar nenhum vestígio do que pode ser amor real, pois construiu algo tão ilusório que só cabem mesmo nos folhetins baratos.
Você que culpa o (des)amor que escolheu para casar, por sua desistência do prazer de viver, nunca será capaz de entender um amor que ampara, um amor que apóia, um amor que impulsiona. Um amor autêntico, com suas qualidades e defeitos, com suas distancias e presenças. Um amor cotidiano, de arroz com feijão, de domingos na sala.
Logo você, que não nunca soube viver o presente, quis congelar o passado e inventou um futuro que já não cabe em sua própria vida. Nunca será capaz de entender alguém que escolhe vivenciar cada instante do presente, entregando-se inteiramente aos seus pesares e contentamentos.
Você que cria uma auto-imagem empacada, que renega as rugas do rosto, nunca será capaz de compreender alguém que respeita o efêmero, que admira as qualidades adquiridas de cada idade.
Submissa a felicidades momentâneas, futilizou tanto a própria vida que distorceu os valores, condenando-se a não ver a fortuna que a vida te oferece. Fortuna esta que o dinheiro, que tanto valoriza não compra, mas que o destino te entregou de graça, e você se nega a estimar.
Você que se ornamenta com muitas pulseiras de ouro nunca será capaz de compreender quem se enfeita de humildades, que se delicia com o doce da padaria e enaltece com os pés descalços.
Você que vive de mascarar-se, dobra-se as aparências, nunca será capaz de ver além dos trajes. Incapaz de enxergar que meu cabelo ruim é bem vindo à sociedade a qual seu casaco de peles jamais conhecerá.
Diz-se tão corajosa, mas prefiriu passar a vida a lamentar-se, chorando, cega pela magoa do que arriscar-se. Rendeu-se ao comodismo, e culpa, a quem te acolheu apesar de tudo, pelo seu infortúnio. Nunca compreenderá a quem se aventura, por um amor, por um sonho, ou quem sabe só para driblar a rotina. Não compreende o mérito de quem ousa, e se submete a errar.
Acostumada a brigar com a vida não percebe a força e o valor que tem a tolerância. Tolerância em sua mais legítima face, a que não julga a que compreende as diferenças, a que perdoa.
Você que não adoça o café da vida por medo de gostar, e por isso envenena a quem te cerca. Cobre-se de rosas, mas espeta quem te admire com o espinho. Afasta quem te ama e não deixa espaço para se surpreender com os novos.
Talvez você me veja com demérito por minha pouca idade, mas minha maturidade ultrapassa seus anos de existência vil, que transparece por seus atos, palavras e pensamentos. E eu talvez a olhe com pouca admiração, porque alguém que não aprendeu com os erros a ser Feliz, quem sabe pouco tenha a me ensinar.
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