quinta-feira, 20 de novembro de 2008


"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio, que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca porque metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço e que essa tensão que me corroi por dentro seja um dia recompensada porque metade de mim é o que penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste e que o convivio comigo mesmo se torne ao menos suportavel que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância porque metade de mim é a lembrança do que fui a outra metade não sei.

Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade pra faze-la florescer porque metade de mim é plateiae a outra metade é cançao.

E que a minha loucura seja perdoada Porque metade de mim é amor E a outra metade tambem."


(Oswaldo Montenegro)

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